Perfeitos Estranhos
Dr.
Luiz Barreto
Homens e mulheres se unem em matrimonio
sem saber que não passam de perfeitos estranhos durante todo o tempo de suas
vidas.
A princípio quando duas pessoas se
casam, parecem ter interesses em comum, mas, na verdade, os interesses são
totalmente diferentes. A família construída a partir do casamento deveria ser
estruturada em: Interesses em comum, em união, respeito, auxílio mútuo, a
defesa dos interesses do outro. Um dedicar-se outro na saúde, na doença, na
alegria na tristeza, na riqueza e na pobreza até que a morte os separe. Na
verdade o que se observa por ai é o oposto. São poucos os casais que seguem
essas normas matrimoniais. Alguns chegam a ser inimigos declarados, mas permanecem
ali em prol dos seus interesses individuais. É bem verdade que são duas pessoas
totalmente diferentes, mas deveriam ter a mesma linha de pensamento, os mesmos
interesses, seguir o mesmo caminho. É a metade da laranja encontrando a metade
de um limão.
O casamento pressupõe não só o prazer,
mas também responsabilidades que se tornam muito pesadas e desagradáveis aos
desavisados ou quando são carregadas apenas por um dos cônjuges. A disputa pelo
comando também pode se tornar um problema. Não há democracia num lar, mas sim
um regime ditatorial que impõe uma série de cobranças inclusive de fidelidade.
Não há liberdade. As pessoas passam a não tem mais vida própria. O governado
não tem mais tempo para si próprio. O ditador toma cada vez mais o tempo, as
energias, a vida do governado. Estreita todos os espaços para que ele não
consiga cuidar de si, tornando-o um prisioneiro. Alguns até pensam que isto é
amor. Na realidade é posse! Se o ditador
se sente seguro, o governado está sob seus olhos, ele relaxa e não se preocupa
nem um pouco e não cuida do seu comandado. É como se fosse um estranho. Na
verdade é um estranho.
As cobranças mais comuns são as da ordem
financeira. Se não está faltando nada, o comandado é deixado de lado como se
fosse um estranho. Esse estranho só voltará a ser lembrado se algo faltar. A
culpa por essa atitude é sempre da correria do dia a dia, das responsabilidades
e de um suposto cansaço. E quando não há mais inspiração para inventar
desculpas, usa-se o artifício de atribuir ao outro a culpa de querer ficar
brigando. Nunca se tem tempo para dar atenção a um estranho.
As Pessoas não estão preparadas e, muitas
vezes, nem dispostas a assumirem responsabilidades. O que importa é o prazer e
o bem estar próprios. O amor e o companheirismo não mais existem. Será que
ainda é possível esse resgate? Será que os casais continuarão a ser perfeitos
estranhos?
Rio de Janeiro, 07/02/2012
Publicado na página web artigos coluna
lar e família